Mercedes-Benz Classe G: A história por trás deste verdadeiro off road
Publicado em: 18-06-2026
Poucos automóveis no mundo carregam uma silhueta tão reconhecível quanto a do Mercedes-Benz Classe G. Quadrado, robusto e praticamente inalterado em sua essência desde o final dos anos 1970, ele é um dos raros casos da indústria automotiva em que o sucesso veio justamente por resistir à tentação de mudar. Mais de quatro décadas depois de seu nascimento, o Classe G continua sendo sinônimo de força, durabilidade e exclusividade, e hoje ocupa um lugar tão respeitado nas trilhas quanto nas ruas das grandes capitais do mundo.
Para entender por que esse SUV se tornou um ícone tão absoluto, é preciso voltar ao começo: a um projeto que nasceu da parceria entre duas montadoras, em plena década de 1970, com um objetivo que parecia, à época, quase contraditório.
Como surgiu o Mercedes-Benz Classe G
O projeto do Classe G teve início em 1972, fruto de uma parceria entre a Mercedes-Benz e a austríaca Steyr-Daimler-Puch, empresa que hoje corresponde à Magna Steyr e que, desde 1960, já produzia outro todo terreno de sucesso, o Haflinger. A decisão de colocar o novo modelo em produção em série foi tomada em 1975, ano em que também se definiu a construção de uma nova fábrica na cidade de Graz, na Áustria, onde os veículos da linha G são fabricados até os dias de hoje.
O nome escolhido para o projeto vinha direto do alemão: Geländewagen, que significa algo como 'veículo para caminhos difíceis'. Dessa expressão nasceu a letra G, que batiza a linha desde então.
Desenvolvido inicialmente para uso militar, o Classe G só teve sua produção destinada também ao público civil em 1979, quando foi apresentado oficialmente. O conceito do novo todo terreno era, para a época, considerado incomum: combinar alta capacidade off-road com conforto e segurança equivalentes aos de um sedã de luxo, sem abrir mão de itens que se tornariam sua marca registrada, como a tração nas quatro rodas.
Foi esse equilíbrio raro entre robustez extrema e conforto que colocou o Classe G em rota direta de concorrência com o Range Rover, lançado em 1970 e até então pioneiro absoluto do segmento. Enquanto a maioria dos utilitários da época era pensada apenas como ferramenta de trabalho, o Classe G já trazia opcionais como forrações internas nas portas e um rodar mais macio, entregando ao motorista a sensação de estar dentro de um automóvel de luxo, mesmo em terrenos extremos.
Um símbolo de uso militar que conquistou as ruas
A vocação militar do Classe G nunca foi um detalhe secundário em sua história, mas sim parte central de sua identidade. Construído sobre uma estrutura de chassi reforçado e equipado desde o início com tração integral, o modelo rapidamente despertou o interesse de forças armadas e órgãos públicos de diversos países.
Ao longo das décadas, exércitos da Áustria, da Dinamarca e da Estônia adotaram o Classe G em suas frotas, com adaptações específicas para uso pesado. Na Grécia, o modelo passou a integrar a Força Aérea, a Marinha e a Polícia. Essa presença constante em operações militares e institucionais ajudou a consolidar, na prática, a reputação de invencibilidade que viria a definir o modelo nas décadas seguintes.
É justamente dessa vocação militar que vem boa parte da explicação para a força histórica do Classe G. Um veículo desenvolvido para suportar terrenos hostis, climas extremos e o uso intensivo de operações oficiais carrega, naturalmente, um nível de engenharia muito acima do exigido por um SUV comum de passeio.
O Papamóvel: quando o Classe G ganhou um capítulo único na história
Entre as curiosidades mais marcantes da trajetória do Classe G está sua ligação direta com o Vaticano. Em 1980, um modelo 230 G passou a ser utilizado pelo Papa João Paulo II, equipado com uma cúpula de proteção inicialmente removível e com elevação dos bancos traseiros, permitindo que o Papa permanecesse visível às multidões durante seus deslocamentos.
Essa configuração mudou de forma definitiva após 1981, ano em que o Papa sofreu uma tentativa de assassinato. A partir desse momento, a cúpula deixou de ser removível e passou a ser blindada e fixada à estrutura do veículo, transformando o que era um item de visibilidade em um equipamento de proteção. Esse episódio rendeu ao Classe G o título informal de Papamóvel, um dos capítulos mais inusitados de sua história e prova de como o modelo conseguiu transitar, com naturalidade, entre o uso institucional, o religioso e o civil de altíssimo padrão.
Schöckl: a montanha que prova a força do Classe G
Boa parte da reputação de robustez do Classe G não vem apenas de discurso de marketing, mas de um processo de validação extremamente rigoroso. Próxima à fábrica de Graz está a montanha de Schöckl, considerada a pista de testes mais lendária da história do modelo.
Com um percurso de 5,6 quilômetros e inclinações que chegam a 60%, Schöckl reúne praticamente todas as condições extremas que um veículo off-road pode enfrentar: subidas íngremes, terrenos irregulares, lama, pedras e cruzamentos de eixos que exigem o máximo da suspensão e da tração. Todo Classe G que sai de Graz precisa, em algum momento de seu desenvolvimento, provar sua capacidade ali. É dessa exigência que nasce o selo 'Schöckl Proved', carimbo de aprovação que acompanha o modelo desde 1979 e que resume, em poucas palavras, todo o DNA de durabilidade da linha.
Não é por acaso que, mesmo após mais de quarenta anos de produção, cerca de 80% de toda a frota de Classe G já fabricada continua em perfeitas condições de uso. Poucos automóveis no mundo conseguem apresentar um índice de longevidade tão expressivo, e isso diz muito sobre a qualidade da engenharia aplicada a cada unidade que sai da linha de montagem austríaca.
As gerações e atualizações do Classe G ao longo dos anos
Apesar de mais de quatro décadas de história, o Classe G passou por apenas três gerações até hoje, sempre preservando o desenho quadrado que se tornou sua principal assinatura visual. As atualizações concentraram-se especialmente em motorização, itens de segurança e refinamento interno, nunca alterando de forma significativa a essência do projeto original.
W460 e W461: os modelos de origem militar
A primeira fase do Classe G, identificada internamente pelos códigos W460 e W461, reúne as versões mais ligadas ao uso militar e utilitário do modelo. Entre os lançamentos dessa fase estão:
1979
- 300 GD, com 88 cv e motor cinco cilindros
- 240 GD, com 72 cv e motor quatro cilindros
- 280 GE, com 156 cv e motor seis cilindros
- 230 G, com 90 e 102 cv, motor quatro cilindros
1982
- 230 GE, com 125 cv e motor quatro cilindros
1987
- 250 GD, com 84 cv e motor cinco cilindros
W463: a virada para o conforto e o desempenho
A partir de 1989, chegou ao mercado a plataforma W463, marco que iniciou a transformação do Classe G de utilitário robusto para SUV de luxo de alta performance. Em 1992, a linha já havia atingido a marca de 100.000 unidades produzidas, números que comprovavam a aceitação crescente do modelo em todo o mundo.
1991
- 350 GD, com 113 cv e motor seis cilindros
1993
- 500 GE, com 241 cv e motor V8, em Limited Edition
1998
- G 500, com 300 cv e motor V8
- G 320, com 215 cv e motor V6
1999
- G 55 AMG, com 354 cv e motor V8
2002
- G 63 AMG, com 444 cv e motor V12, em Special Edition
2003
- G 55 AMG, com 476 cv e motor V8
2007
- G 55 AMG, com 500 cv e motor V8
- G 500, com 388 cv e motor V8
2010
- G 350 BlueTEC, com 211 cv e motor V6
2012
- G 65 AMG, com 612 cv e motor V12
- G 500, com 300 cv e motor V8
- G 63 AMG, com 544 cv e motor V8
2013
- G 63 AMG 6x6, com 544 cv e motor V8
Essa versão 6x6, com seis rodas motrizes, é até hoje uma das edições mais lembradas da história recente do Classe G, por seu visual imponente e sua capacidade off-road levada a um nível quase militar de novo, agora dentro de uma proposta extremamente exclusiva e voltada a colecionadores.
2015
- G 500 4x4², com 500 cv e motor V8
- G 350 D, com 245 cv e motor V6
- G 500, com 422 cv e motor V8
- G 63 AMG, com 571 cv e motor V8
- G 65 AMG, com 630 cv e motor V12
2017
- Mercedes-Maybach G 650 Landaulet, com 630 cv e motor V12, produção limitada a apenas 99 unidades
A versão Landaulet, assinada pela Maybach, é outro daqueles capítulos que ajudam a explicar o magnetismo do Classe G: um SUV off-road transformado em um automóvel de luxo extremo, com capota retrátil na parte traseira e produção tão restrita que se tornou, quase instantaneamente, peça de colecionador.
2018
- G 500, com 422 cv e motor V8
A nova geração e o reforço do caráter premium
A última geração do Classe G foi revelada mundialmente no Salão de Detroit de 2018, com a produção da nova série 463 iniciada na fábrica da Magna Steyr, em Graz, já em maio daquele mesmo ano. Essa atualização trouxe um nível de refinamento ainda maior, com acabamentos em fibra de carbono e madeira, além de sistema de som premium com sete alto falantes, sem abandonar a essência off-road que sempre definiu o modelo.
No Brasil, esse novo capítulo foi marcado pela apresentação do Mercedes-AMG G 63 no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo de 2018, totalmente renovado na versão especial de lançamento Edition 1. A grade Panamericana, os arcos de roda salientes e o acabamento interno ainda mais sofisticado reforçaram o caráter de topo de linha que o G 63 carrega dentro da família Classe G.
Modelos disponíveis a partir de 2020
- G 63 AMG, com 585 cv e motor V8
- G 63 AMG Edition 1, com 585 cv e motor V8
Por que o Classe G é tão forte historicamente
Reunindo todos esses capítulos, fica mais fácil entender por que o Classe G ocupa um patamar tão especial dentro da história automotiva. Sua força não vem de um único fator isolado, mas da soma de diversos elementos raros de se encontrar juntos em um mesmo automóvel:
- Uma origem militar real, que exigiu desde o primeiro projeto um nível de robustez muito acima do padrão civil
- Validação constante em um dos terrenos de teste mais extremos do mundo, a montanha de Schöckl
- Um índice de durabilidade impressionante, com cerca de 80% de toda a frota produzida ainda em uso
- Apenas três gerações em mais de quatro décadas, o que preservou o valor histórico e a identidade visual do modelo
- Edições especiais e ultra exclusivas, como o 6x6 e o Maybach Landaulet, que elevaram o status do nome G a outro nível
- Uma trajetória que passou por exércitos, forças policiais, o Vaticano e, ao mesmo tempo, pelo público mais exigente do mercado de luxo
Esse conjunto de fatores explica por que o Classe G nunca foi apenas mais um SUV. Ele é, antes de tudo, um símbolo de resistência que atravessou décadas sem perder relevância, e que soube se reinventar tecnicamente sem jamais abandonar sua essência original.
O G 63 AMG: a expressão máxima da linha
Dentro de toda essa trajetória, o Mercedes-AMG G 63 representa o ponto mais alto de desempenho já alcançado pela linha. Hoje equipado com motor V8 biturbo de 4.0 litros e 585 cv, ele reúne em um único automóvel a herança de robustez que vem desde o primeiro Classe G de 1979 com um nível de potência que coloca o modelo entre os SUVs mais rápidos do mundo, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em poucos segundos sem perder nada de sua capacidade off-road original.
É essa combinação rara entre história, exclusividade e performance que faz do G 63 um dos automóveis mais desejados por colecionadores e entusiastas no Brasil e no mundo. Poucos veículos conseguem entregar, ao mesmo tempo, tanto prestígio, tanta presença e tanta capacidade técnica.
Na PDKMotors, é possível encontrar um Mercedes-AMG G 63 disponível em estoque, com toda a procedência e o cuidado que um automóvel desse nível exige. Para quem deseja viver de perto essa história que atravessa mais de quatro décadas, conhecer esse exemplar de perto é a oportunidade ideal de entender, na prática, por que o Classe G continua sendo um dos maiores ícones já criados pela indústria automotiva.
Entre em contato com nossa equipe e agende uma visita para ver de perto por que esse off-road de luxo continua sendo um dos nomes mais respeitados entre os apaixonados por automóveis exclusivos.